Caderno, folhas de cálculo ou software: onde deve estar a sua agenda

O caderno funciona até certo ponto e o Excel dura mais um bocado. Veja onde cada um parte, e quando compensa mesmo mudar de sistema.

Caderno, folhas de cálculo ou software: onde deve estar a sua agenda
Photo by Mikhail Nilov: https://www.pexels.com/photo/laptop-and-notebook-on-top-of-a-round-table-7594475/

Há uma certa arrogância no discurso de quem vende software sobre quem usa caderno. O caderno é rápido, não avaria, não precisa de rede e qualquer pessoa aprende a usá-lo em dez segundos.

Milhares de salões funcionaram décadas assim e continuam a funcionar.

A questão não é qual é a aplicação superior em abstracto: é onde é que cada uma parte, e se o seu salão já chegou neste estágio ou não.

Onde cada uma parte

Caderno Excel Software
Marcar ao balcão Imediato Lento Rápido
Duas pessoas ao mesmo tempo Impossível Confuso Normal
Saber quanto facturou há 3 meses Contar à mão Fórmula Imediato
Ver histórico de um cliente Folhear meses Filtrar, se estiver bem preenchido Um clique
Lembretes ao cliente Telefonar um a um Telefonar um a um Automáticos
Sobreviver a um café entornado Não Sim Sim
Trabalhar sem internet Sim Sim Depende

O caderno ganha em duas linhas, e não são linhas irrelevantes. Quem tem um salão de uma pessoa, com clientes fixos e sem funcionários, pode perfeitamente ficar-se por ele durante anos. Já tive um caso em concreto inclusive, e tudo bem.

Os 3 momentos em que o caderno deixa de chegar

Quando entra a segunda pessoa. Este é um ponto de virada. Um caderno só pode estar num sítio de cada vez, portanto a partir do momento em que duas pessoas precisam de marcar, começam as marcações a lápis, os post-its, e a pergunta "quem marcou isto?".

Quando os clientes começam a ligar fora de horas. O caderno não atende o telefone às onze da noite ou aos fins de semana. Quem não deixa marcar online está a perder as marcações de quem decidiu depois do jantar e de manhã já se esqueceu. Já falamos sobre isso no artigo sobre marcação online.

Quando quer saber alguma coisa sobre o passado. E é aqui onde a coisa fica bem mais complicada. Responder às perguntas:

  • Quantos cães atendeu no mês passado?
  • Quantos faltaram?
  • Quem não vem há seis meses?

Num caderno, responder a isto é uma tarde de trabalho, o que, convenhamos, na maioria dos casos, ninguém as responde e a melhor hipótese é um palpite, pura intuição.

Folhas de cálculo: a zona intermédia traiçoeira

O Excel, alguma folha de cálculo ou planilha eletrónica é o passo natural para quem quer sair do papel sem haver custos, e resolve genuinamente muitas coisas: É pesquisável, é copiável, e não se perde numa inundação.

O que não resolve e que costuma apanhar as pessoas desprevenidas é a disciplina que exige: uma folha de cálculo só é útil enquanto toda a gente a preencher da mesma maneira. E sabemos que ninguém preenche da mesma maneira.

Ao fim de meses tem "Bobi", "bobi", "Bobi (Sra. Ana)" e "Bobi 2" como quatro cães diferentes, e as fórmulas que dependiam disso deixam de contar bem.

Depois há o problema das duas pessoas ao mesmo tempo, que no Excel se resolve mal, além do problema das versões a cada alteração no ficheiro.

Como saber se já está na hora?

Três sinais concretos:

  • Se já lhe aconteceu de marcar dois cães para a mesma hora e só descobrir no próprio dia.
  • Se não se lembra e teria de investir horas para descobrir qual foi a lâmina ou adaptador usado na tosquia do caniche da Dona Maria há 6 meses atrás.
  • Se lhe perguntarem quantos clientes não voltam há três meses, não sabe e não tem como saber sem um trabalho grande

Um destes sinais é normal. Dois já é caro. Três significa que o método actual está a custar dinheiro todos os meses, mesmo que esse custo não apareça em lado nenhum. Sem citar o custo mental, o desgaste seu ou da sua equipa.

Sobre a passagem em si

A objecção mais comum a mudar não é o preço, é o receio de perder o que já existe: anos de clientes, histórico, contactos.

Isso resolve-se sem transcrever nada de uma vez. A maioria dos salões passa os clientes activos à medida que vão aparecendo, ao longo de um mês ou dois e mantém o caderno antigo numa gaveta como arquivo.

Ao fim de duas rotações de clientes, o sistema já tem tudo o que interessa. Há um plano de quatro semanas para fazer essa passagem que dispensa o domingo perdido a copiar listas.

No AgendaPet, cada cliente novo entra em segundos, direto no painel de marcação, com os pets já associados, e a partir daí o histórico constrói-se sozinho a cada visita.

Não mude por moda

Se tem um salão de uma pessoa com quarenta clientes fixos e um caderno que funciona, mudar de sistema é resolver um problema que não tem. Fique com o caderno e volte a esta conversa quando houver mais uma pessoa no salão.

Se qualquer coisa desta lista lhe soou familiar, vale a testar sem compromisso. E se for comparar sistemas, há sete perguntas que valem mais do que qualquer demonstração, porque a maioria dos programas falha em dois ou três provas, e isso só se descobre tarde.

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