Pedir avaliações sem ser chato (e responder às más)

Clientes satisfeitos raramente escrevem sozinhos. O momento certo para pedir, a frase que resulta e como responder a uma avaliação injusta.

Pedir avaliações sem ser chato (e responder às más)
Photo by Towfiqu barbhuiya: https://www.pexels.com/photo/five-stars-over-blackboard-11894045/

Existe uma assimetria conhecida em qualquer negócio de serviços: quem fica satisfeito vai para casa contente e não escreve nada; quem fica insatisfeito escreve antes mesmo de chegar a casa.

O resultado é que a página de um salão que faz bom trabalho todos os dias pode ter três avaliações, duas delas de pessoas zangadas. Não porque o trabalho seja mau, mas porque ninguém pediu nada a quem gostou.

Corrigir isto é um procedimento de trinta segundos por cliente.

O momento

Há uma janela curta em que pedir funciona: os primeiros minutos depois de entregar o cão, quando o tutor ainda está a olhar para o animal e a comentar o resultado (positivo).

Fora dessa janela a taxa de resposta cai a pique. Uma mensagem enviada três dias depois chega quando a pessoa já está noutro assunto.

E há um sinal que não falha: se o tutor disser espontaneamente que ficou bonito, é esse o momento perfeito!

Como pedir a avaliação

Pedir mal é pior do que não pedir. Três coisas tornam o pedido fácil de aceitar:

  • ser específico,
  • ser curto e
  • dar o caminho.

"Fico contente que tenha gostado. Se tiver um minuto, uma avaliação no Google ajuda-nos imenso a chegar a mais pessoas da zona. Mando-lhe o link por mensagem?"

Há ainda aqueles que até possuem um QR Code justamente para isso, e é ainda mais interessante, porque torna imediato.

O que faz esta frase funcionar é a última parte. "Deixe uma avaliação" põe o trabalho todo do lado do cliente, que tem de procurar o salão sozinho. Enviar o link (ou apresentar o QR Code) elimina a fricção.

Mas o que não se deve fazer: prometer descontos em troca de avaliações. Além de proibido na maioria das plataformas, contamina exactamente aquilo que se está a tentar construir, que é credibilidade.

A quem perguntar

Não deve ser a toda a gente. Deve ser a clientes que já demonstraram satisfação, e preferencialmente aos que vêm com regularidade.

Cliente Pedir?
Comentou espontaneamente que gostou Sim, na hora
Cliente habitual, relação de anos Sim, uma vez, sem insistir
Primeira visita correu bem Sim, com naturalidade
Houve algum problema no serviço Não. Resolva o problema primeiro
Cliente com quem já houve atrito Não

A quarta linha é importante. Pedir avaliação a quem teve um problema é praticamente convidar uma avaliação negativa, mesmo quando o problema foi resolvido.

Responder às boas

Uma resposta curta a cada avaliação positiva custa dez segundos e faz duas coisas: mostra a quem lê que o salão está atento, e dá naturalidade à página.

Evite respostas iguais copiadas para todas. Referir o nome do cão é suficiente para a resposta deixar evidente que foi escrita por uma pessoa.

Responder às más

Aqui está o que separa um salão profissional de um amador.

O modelo mental é: a resposta não é para quem escreveu, é para as dezenas de pessoas que vão ler as duas coisas no futuro. Isso muda completamente o tom que faz sentido usar.

Nunca responda no próprio dia. A resposta escrita com adrenalina lê-se mal seis meses depois, e fica lá para sempre.

Não discuta factos em público. Mesmo quando tem razão, e sobretudo quando tem razão. Uma troca de acusações prejudica quem responde, independentemente de que lado está a razão.

Reconheça, não capitule. Há uma diferença entre admitir que a pessoa ficou insatisfeita e admitir culpa que não teve.

"Lamento que não tenha ficado satisfeita com o resultado. Trabalhámos com o pêlo já bastante emaranhado e tive de optar por um corte mais curto para não magoar a Nina, coisa que expliquei na entrega. Se quiser passar cá, terei todo o gosto em rever isto consigo."

Esta resposta faz três coisas ao mesmo tempo:

  • mostra empatia,
  • dá contexto factual sem acusar ninguém,
  • oferece resolução.

Quem ler daqui a um ano fica com uma boa impressão do salão, que é o objectivo.

O melhor antídoto para avaliações más

Quanto maior o volume de avaliações recentes, melhor. Uma avaliação de uma estrela entre quatro é devastadora; entre quarenta, é ruído normal que qualquer pessoa desvaloriza.

Por isso o pedido regular a clientes satisfeitos não é vaidade, é resiliência. Portanto, um salão que pede com naturalidade a dois ou três clientes por semana constrói em poucos meses uma base que absorve os dias maus.

E as avaliações alimentam directamente a visibilidade nas pesquisas locais, tema que abordámos no artigo sobre ser encontrado no Google.

Para saber quem são os clientes habituais a quem faz sentido pedir, experimente ter o histórico organizado em vez de depender da memória.